Bendine defende papel estratégico do etanol

Da Redação

A Petrobras quer evitar uma dependência excessiva das importações de gasolina e para isso considera a produção de etanol fundamental, disse ontem o presidente da companhia

A Petrobras quer evitar uma dependência excessiva das importações de gasolina e para isso considera a produção de etanol fundamental, disse ontem o presidente da companhia, Aldemir Bendine, frisando que óleo e álcool são energias complementares.

Bendine, que participou da abertura do Ethanol Summit, com líderes do setor de cana-de-açúcar, em São Paulo, reafirmou que a Petrobras tem o compromisso de manter uma política de preços da gasolina “de acordo com os ditames do mercado”.

Por enquanto, contudo, os preços da gasolina no Brasil estão defasados em relação ao mercado internacional, o que cria um limite de preços também para o etanol e termina por restringir a margem de lucro das empresas do setor sucroalcooleiro, queixam-se empresários. “Muitas vezes dizem que setor de óleo é concorrência em relação à cana, mas acho isso mal estabelecido, porque as energias são complementares”, disse o presidente da Petrobras.

Sobre o plano de negócios da Petrobras, divulgado recentemente e que prevê grandes desinvestimentos, Bendine resumiu-se a dizer que a companhia busca reduzir endividamento, como fizeram diversas outras petroleiras ao redor do mundo. “Estamos em situação de elevado endividamento e há um esforço muito forte de retomada de rentabilidade na empresa”, afirmou o executivo.

Bendine voltou a defen der o Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 apresentado na semana passada pela estatal. Segundo ele, o planejamento da companhia considera a nova realidade do mercado, com preço do petróleo mais baixo e um dólar mais valorizado, e tem como foco garantir a rentabilidade da empresa.

“Vamos buscar um esforço forte na rentabilização da companhia”, afirmou Bendine. Além da rentabilidade das operações, o plano também visa garantir geração de caixa à estatal, ao mesmo tempo em que são previstos investimentos de US$ 130,3 bilhões de 2015 a 2019.

“Queremos trazer o nível de endividamento da companhia a um padrão mais satisfatório”, disse Bendine. “Falamos de uma empresa que, mesmo mais enxuta, possa trazer retorno a seus acionistas”, complementou o presidente da Petrobras.

Em vídeo transmitido na Ethanol Summit 2015, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que a recomposição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o aumento da mistura de anidro na gasolina “ainda não são tudo” o que é necessário fazer para ajudar na recuperação do setor sucroenergético.

“Precisamos fazer mais, precisamos de segurança jurídica, de planejamento estratégico e mostrar que o etanol está, sim, na matriz energética brasileira”, afirmou. A ministra não pôde participar do evento, porque está em Tóquio, no Japão, onde trata da abertura de mercados a produtos agropecuários brasileiros.
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