Mecanização do café como alternativa ao negócio

Ana Paula Nascimento

O incentivo à mecanização da cafeicultura é apontada como alternativa viável para a sobrevivência do negócio, que sofre com preços pouco competitivos e mão de obra cara, conseguindo reduzir em até 40% os custos

O incentivo à mecanização da cafeicultura é apontada como alternativa viável para a sobrevivência do negócio - que sofre com preços pouco competitivos e mão de obra cara -, conseguindo reduzir em até 40% os custos. O assunto foi tema de um dia de campo, organizado pela Cooperativa Integrada, na última semana em Ibaiti. A área total do Paraná dedicada à cafeicultura vem caindo gradativamente nos últimos anos, mas o Norte Pioneiro ainda responde por 90% da produção total do Estado. Um público de 150 produtores do Norte Pioneiro participou do Dia de Campo da Cafeicultura que além da mecanização, contou com palestra sobre seguro rural e estações sobre manejo de pragas, doenças e fertilização, apresentadas por empresas de insumos. 

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná possui atualmente uma área estimada de 52,9 mil hectares, sendo a maior parte formada por pequenos produtores, com lavouras de até 10 hectares. Em 2000, a área do café era de 170 mil hectares. Da atual área de cultivo, estimam-se que de 15% a 20% já estejam mecanizadas. Para este ano, a safra está estimada em 1 milhão de sacas, conforme o último levantamento do Deral. No próximo dia 29 deve ser divulgada uma projeção mais atualizada. 

Segundo o coordenador de cafeicultura da Integrada, Vauller Aparecido Furtado, a cooperativa atualmente atende a produção referente a 15 mil hectares de café no Paraná, sendo a maioria no Norte Pioneiro. "O principal objetivo do evento é mostrar ao produtor a necessidade da mecanização. É um investimento que vale a pena e que pode proporcionar uma rentabilidade até três vezes maior do que a da soja. Na nossa região, a maioria dos produtores são de pequeno porte e a dificuldade do financiamento pode ser superada com a organização dos vizinhos, que podem adquirir as máquinas em parceria. Vale lembrar que além da atender a própria demanda, eles podem prestar serviços para terceiros", avalia. "Na soja isso já funciona bem; na cafeicultura esse processo está acontecendo lentamente", acrescenta. Em média, o preço de uma colheitadeira varia de R$ 70 mil a R$ 700 mil (automotriz). 

A região de Carlópolis, segundo Furtado, está praticamente toda mecanizada. "É o nosso ‘oásis’ do café, com 10% a 15% da produção dedicado ao café gourmet, aproveitando assim um importante nicho de mercado", pontua. "A maior parte dos nossos produtores vieram de Minas Gerais, e o mineiro é seguro, desconfiado, tradicional, mas a mecanização é uma tendência que merece atenção", observa, considerando que o Dia de Campo é um importante recurso de comunicação para o fomento da cafeicultura. Parte de Cornélio Procópio, Mandaguari e Apucarana também concentram regiões em que a cafeicultura já está mais mecanizada. 

Tecnologia como aliada 

O agricultor Lauro Rodrigues Souza, 53 anos, de Ibaiti, que cedeu a sua propriedade para a realização do evento, tem nove alqueires dedicados à cafeicultura, sendo uma pequena parte destinada à pastagem. Há quatro anos, ele decidiu apostar na mecanização como alternativa para otimizar o negócio, que tem longa tradição na sua família. "O plantio do café faz parte da história da minha família há mais de 30 anos e queria continuar produzindo. Mecanizar a produção foi uma decisão necessária para seguir em frente e conseguir reduzir em 40% a mão de obra e em 20% a produção", informa Souza. Com uma produtividade de cerca de 50 sacas de café limpo por hectare, Souza está bem acima da média no Paraná que é de 23 sacas/hectare. 

Para mecanizar, Souza precisou recorrer a empréstimos para adquirir os maquinários, como colheitadeira e pulverizador. "Podem falar do governo atual, mas nesse aspecto eu acho que houve um bom incentivo para quem queria mecanizar, antes os juros eram maiores", afirma. Já sobre a prática de preços, ele desaprova: "Há três anos, trabalhávamos com o valor de R$ 500/saca; hoje, é de no máximo R$ 400/saca, e o preço dos insumos sempre sobe". Atualmente, o café tipo 6 bebida dura é cotado a R$ 370/saca. Para uma produtividade de 30 sacas/hectare, o custo de produção em áreas não mecanizadas fica acima de R$ 320/saca. 

Para continuar a investir na produção de café, Souza ainda conta com o apoio dos filhos Anderson Julian de Souza, 28 anos, e Jean Marcio de Souza, 30 anos, que frequentemente participam de curso da Emater. "Temos uma visão otimista da cafeicultura. Queremos manter a produção e até ampliar. As técnicas de plantio e colheita podem até mudar, mas alguém vai ter que continuar produzindo café", defendem. "Alguns criticam a mecanização, mas até as mudanças climáticas forçaram esse processo, já que ninguém aguenta mais ficar exposto ao sol. De modo geral, a cafeicultura ainda mobiliza muitas pessoas e, de certa forma, já percebemos um ‘êxodo rural ao inverso’, com muita gente que no passado abandonou o campo, agora está voltando para o meio rural, pela qualidade de vida, e até estudando mais para aprender a manusear os novos maquinários. É um processo dinâmico e interessante", concluem. 

SAFRA CHEIA 

O Paraná deverá colher nesta safra 1 milhão de sacas de café – volume 80% superior à colheita do ano passado. Cerca de 90% dessa produção está concentrada no Norte Pioneiro. A Cooperativa Integrada atende mais de três mil cafeicultores, de 71 municípios paranaenses, localizados principalmente na região norte. A expectativa da cooperativa é receber nesta safra mais de 150 mil sacas de café, o que corresponde a 15% da safra estadual. 
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