Rio Grande do Sul ingressa na reta final da colheita de arroz

Silvino Geremia

Com 88% da área colhida, volume atinge 7,6 milhões de toneladas

Região arrozeira compreende produção em 1,34 milhão de hectares (Foto: CLAUDIO FACHEL/ARQUIVO/PALÁCIO PIRATINI/JC) 

A colheita do arroz da safra 2014/2015 no Rio Grande do Sul se aproxima do final. Com 87,4% da área colhida, o equivalente a 984.152 hectares, os produtores gaúchos apresentam uma produção até agora de 7,6 milhões de toneladas e uma produtividade média de 7.729 quilos por hectare. A região produtora com a melhor produtividade até agora é a zona Sul, com 8.333 quilos por hectare. Com 161.262 hectares colhidos, 88% da área plantada, a região arrozeira atinge produção em 1,34 milhão de hectares. 

Em Jaguarão, o produtor Ricardo Teixeira Gonçalves da Silva, do grupo Quero Quero, ressalta que, mesmo com as chuvas, que o levaram a plantar parte da lavoura fora do período planejado e, com isso, atrasar também no plantio da soja, houve incremento de produtividade de sete sacos por hectare. "O tempo ajudou e o mês de março foi quente e seco, e obtivemos resultados positivos mesmo em um ano de adversidade climática." 

O grupo planta aproximadamente 4 mil hectares de arroz e 3 mil hectares de soja. Em caráter experimental, nesta safra, as lavouras foram irrigadas com politubos, experiência que deve se repetir no próximo ano e estendida também para a soja. Para a próxima safra, o produtor já está com 60% das áreas de soja e arroz prontas. "Todos os esforços são no sentido de plantar na época certa, tanto o arroz quanto a soja", diz. 

O produtor Oscar Tomaz Gomes Prado, também de Jaguarão, planta 700 hectares de arroz e, neste ano, devido a adversidades climáticas, plantou 200 hectares de soja, quando planejava 400 hectares. Apesar dos problemas com o clima, registra incremento de produtividade de 10 sacos em relação à safra passada. 

Para a próxima safra, ele está com 90% da área de arroz pronta. Realizou investimentos em agricultura de precisão em áreas com histórico de baixa produtividade, o que deve repetir este ano, e também investirá em irrigação com politubos. 

A região produtora com a colheita mais adiantada é a Planície Costeira Externa, que tem 94,6% da área colhida, o equivalente a 134.372 hectares. A produção é de 908.634 toneladas e a produtividade média de 6.762 quilos por hectare. A Fronteira-Oeste é a segunda região mais adiantada, com 91,7% da área colhida e tem também a segunda maior produtividade média do Estado, com 8.014 quilos por hectare. Em Uruguaiana, o produtor Delázio Schwanck conseguiu atingir uma média geral da lavoura nesta safra de cerca de 8,9 mil quilos por hectare, superando as expectativas de safra da região, que eram de 8,2 mil quilos por hectare, devido ao atraso no plantio por excesso de chuvas na região. 

Nas demais regiões, a colheita atinge 88,1% na Planície Costeira Interna (PCI), 81% na Campanha e 77,2% na Depressão Central. O técnico agrícola e produtor rural, Daniel Della Ninna Reis, que tem sua lavoura no município de General Câmara, atendido pelo 28º Nate, localidade de Volta do Barreto, conta que esta foi uma safra com dificuldade de plantio e facilidade de colheita. "Este foi um ano agrícola de enormes dificuldades iniciais, seja na implementação das lavouras, desde a época de preparo do solo até o efetivo plantio, com período de chuvas acima da média, o que atrasou o preparo, a aplicação de adubos defensivos e atrapalhou o manejo adequado de plantas daninhas." 

Indústria arrozeira mantém cautela 

Representantes de indústrias arrozeiras do Rio Grande do Sul consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada Esalq/USP (Cepa) demonstram interesse de compra do arroz em casca, especialmente para o depositado em seus armazéns, mas têm sido cautelosos em conceder aumento nos valores, devido às indicações de bom volume na safra 2014/2015. Com isso, beneficiadoras têm comprado somente quando há necessidade de atender as demandas doméstica e externa. 

Do lado vendedor, apenas orizicultores com necessidade de "fazer caixa" disponibilizam lotes, já que, até o momento, não tiveram acesso aos recursos de custeio desta temporada. Já outros têm negociado soja e gado para gerar receita, ao invés de vender arroz em casca. Estes mantêm a expectativa de maior preço após o término da colheita, fundamentados no bom desempenho da exportação brasileira de arroz em 2015. Desde o início deste mês, o Indicador Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% grãos inteiros) acumulou ligeira queda de 0,42%, fechando a R$ 35,72/saca de 50 quilos no dia 20 de abril.
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