Arroz orgânico nas escolas públicas

Warner Bento Filho

Os maiores consumidores do arroz produzido sem veneno no Brasil não estão nos bairros caros das grandes cidades, mas nas escolas da rede pública de ensino

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que adquire alimentos para a merenda, é o maior comprador do produto. Outra particularidade é que praticamente a totalidade da produção de arroz orgânico sai de assentamentos da reforma agrária do Rio Grande do Sul. Foi num deles, no município de Eldorado, a 15km de Porto Alegre, que a presidente Dilma Rousseff inaugurou a abertura da safra, há duas semanas. As compras institucionais representam mais de 50% das vendas dos agricultores, organizados em cooperativas.

A safra aberta pela presidente Dilma deve render 2 milhões de quilos, produzidos por mais de 500 famílias de assentados na região metropolitana de Porto Alegre. A área plantada com arroz orgânico certificado é de 4.500 hectares. A produtividade das lavouras, segundo o coordenador da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap) Emerson Giacomeli, chega a 5 mil quilos por hectare.

De acordo com dados do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a produtividade da Lavoura convencional é cerca de 50% maior, chegando a 7,5 mil quilos por hectare. O custo, porém, é três vezes maior, o que torna o orgânico muito mais rentável. Os produtores de arroz convencional reclamam que os custos de produção praticamente não deixam margem de lucro para o produtor. A grande diferença nas planilhas de custo se deve aos insumos químicos a que o produtor convencional fica atrelado, que drenam praticamente todo o lucro da Lavoura.

"Nossos agricultores não dependem do pacote químico, que vai desde a semente, o Fertilizante, o veneno até o financiamento e a compra. Nossos produtores são mais independentes. Nós mesmos produzimos as sementes e não usamos nenhum insumo químico ou tóxico, porque temos preocupação com o meio ambiente e com a saúde de quem produz e de quem consome. Queremos deixar para as futuras gerações um meio ambiente preservado, com mais saúde para todos", diz Giacomeli.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Maria Laura Turino Mattos, "há necessidade de reduzir o uso de herbicidas, inseticidas e fungicidas" nas lavouras de arroz, "adequando o manejo a uma condição sustentável", segundo artigo publicado na Agência Embrapa. "Agrotóxicos, pelo arranjo, são biocidas (.). Provocam efeitos muito mais sérios do que se aparenta, tais como mudança adversa na qualidade ambiental, que pode reduzir o potencial produtivo", diz o artigo.
Compartilhar

About Movimento dos Comunicadores do Brasil

0 comentários:

Postar um comentário