Tunísia quer parcerias com Brasil no agronegócio

A Tunísia está interessada em parcerias com o Brasil no agronegócio, segundo o diretor-geral da Agência de Promoção de Investimentos na Agricultura do país árabe (Apia), Abderrahmane Chafii


A Tunísia está interessada em parcerias com o Brasil no agronegócio, segundo o diretor-geral da Agência de Promoção de Investimentos na Agricultura do país árabe (Apia), Abderrahmane Chafii. Ele está na capital paulista para participar do seminário Brasil e Norte da África - oportunidades para o agronegócio e a segurança alimentar, nesta terça-feira (24.02), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

“Agricultura e segurança alimentar são assuntos muito importantes para um país africano, mas que também é árabe”, disse Chafii à ANBA durante visita à Câmara de Comércio árabe Brasileira nesta segunda-feira (23.02). A Tunísia, assim como outras nações do Norte da África e do Oriente Médio, tem parte de seu território coberto pelo deserto e, portanto, área limitada para o desenvolvimento da atividade agrícola. 

O executivo se reuniu com o presidente da Câmara Árabe, Marcelo Sallum, o vice-presidente de Comércio Exterior, Rubens Hannun, e o diretor-geral, Michel Alaby, e assinou um acordo de cooperação. Para ele, a instituição pode auxiliar a viabilizar parcerias entre operadores privados brasileiros e tunisianos. 

Segundo o executivo, a Tunísia oferece incentivos para investimentos por meio, por exemplo, de benefícios fiscais, tanto para investidores locais quanto para estrangeiros. “Nós encorajamos os investimentos em todos os segmentos [do agronegócio]”, destacou. 

Há interesse especial, porém, na atração de recursos para produção de cereais. De acordo com Chafii, a Tunísia produz cerca de 70% de suas necessidades e tem que importar o restante. Outros segmentos considerados estratégicos são os de lácteos e de carnes. 

Ele acrescentou que há incentivos também para projetos que economizem água, agroindústrias, empreendimentos que tenham por objetivo as exportações e projetos que envolvam produtos com denominação de origem controlada e orgânicos. 

Os estrangeiros podem deter até 66% do capital de um negócio na área agrícola na Tunísia. Há necessidade de um sócio local. Chafii informou que os estrangeiros respondem por 5% a 10% do total de investimentos no agronegócio do país. 

Ele citou exemplos de empresas estrangeiras que produzem frutas e legumes na Tunísia para exportação para a Europa e outros mercados - como a europeia San Lucar, que exporta tomates colhidos no país - e de companhias multinacionais que têm por objetivo abastecer o mercado local, como a Danone. 

Os tunisianos têm interesse também em cooperação técnica com o Brasil, com o objetivo de aproveitar a experiência brasileira na área agrícola. “Temos muito a aprender nas áreas de pesquisa e ensino agrícola e também no desenvolvimento de setores como os de grãos e de carnes”, declarou o diretor-geral da Apia. 

Como os países árabes em geral precisam importar alimentos, ele sugeriu a realização de parcerias tripartites com investimentos árabes, know-how brasileiro, em território tunisiano. 

Mercado 

O país árabe quer ainda diversificar mercados para exportação e promover produtos como azeite de oliva e tâmaras no Brasil. No caso do azeite, por exemplo, ele afirmou que mesmo com o aumento da demanda na Europa, a Tunísia tem condições de fornecer para outros destinos. “Queremos diversificar os mercados e agregar valor ao produto, vendendo-o já engarrafado”, disse, acrescentando que a Tunísia é a terceira maior exportadora mundial de óleo de oliva. 

Como exemplos de plataformas para geração de negócios entre empresários dos dois países, Chafii citou a feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas), que será realizada em maio e terá participação tunisiana; o Salão Internacional do Investimento Agrícola e da Tecnologia (Siat), feira bienal cuja última edição ocorreu em Túnis em outubro de 2014; e o Salão Internacional da Agricultura, do Maquinário Agrícola e da Pesca (Siamap), cuja próxima edição vai ocorrer em outubro deste ano na capital tunisiana. 

O executivo ressaltou que o Siamap oferece oportunidade de negócios também na área de máquinas agrícolas, e que isso pode ser de interesse de empresas brasileiras. 

Chafii destacou que o setor agrícola tunisiano sofreu menos com a turbulência política e social decorrente da Primavera Árabe do que a indústria e o turismo. “Como todos os setores, sofreu um pouco, mas em termos de investimentos não vimos uma baixa, a curva continuou ascendente”, declarou. 

A atividade agropecuária, segundo ele, responde por cerca de 10% da economia tunisiana, por 10% das exportações do país e por 16% dos empregos. 

No comércio bilateral, produtos do agronegócio como açúcar, soja, milho, café, carne bovina, fumo e frango estão entre os principais itens exportados pelo Brasil à Tunísia. Na outra mão, as principais mercadorias vendidas pelos tunisianos ao mercado brasileiro são fertilizantes. As tâmaras aparecem em quinto lugar da pauta. O azeite aparece apenas 44º lugar e em pequena quantidade. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC).
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