Efeito EUA já passou

2015 será um bom ano para os agricultores brasileiros. Somada à colheita de Argentina e à do Paraguai, a produção brasileira faz com que a América do Sul lance no mercado 160 milhões de toneladas de soja, 50 milhões a mais do que o volume da colheita norte-americana

Mesmo com oscilações pontuais nas cotações externas da soja pela entrada da safra norte-americana no mercado, que gerou instabilidade para o agronegócio, José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, a maior cooperativa de produção agrícola da América Latina, acredita que 2015 será um bom ano para os agricultores brasileiros. Somada à colheita de Argentina e à do Paraguai, a produção brasileira faz com que a América do Sul lance no mercado 160 milhões de toneladas de soja, 50 milhões a mais do que o volume da colheita norte-americana.

Em sua avaliação, o que o mercado de 2015 reserva para o setor produtivo?

Não sou pessimista em relação ao mercado em 2015, que deve se manter na situação atual, mesmo porque trabalhamos com alimentos e ninguém deixa de comer, ou seja, sempre haverá demanda para consumo humano e para ração animal. A ameaça baixista na soja, por exemplo, que, recentemente, caiu violentamente para entre R$ 47 e R$ 50 a saca de 60 quilos devido à grande safra norte-americana, considerando que também tivemos uma grande produção, já foi superada e hoje o preço já passa de R$ 60. E com as entressafras nos Estados Unidos e no Brasil, o preço da soja brasileira deve se manter em um patamar bom.

Então, mantido esse cenário, o agricultor continua tendo boa rentabilidade?

Considerando apenas o custo de produção e que o agricultor comprou insumo antes da alta do dólar, com os R$ 60 por saca o agricultor terá bom resultado no ano que vem. Numa produção e 150 sacas de soja por alqueire [60 por hectare], o custo direto fica em R$ 23 por saca. Então, o cenário é bom para a agricultura. Mas lógico que cada casa é um caso.

O aumento de investimentos na ampliação da capacidade de armazenamento das cooperativas pode influir no mercado em favor do associado?

Não acredito que vá necessariamente influenciar o mercado, como um todo, porque isso passa pela questão do estoque mundial de alimentos. Mas não resta dúvida que é estratégico ao produtor, que, tendo maior espaço para armazenar a produção, pode esperar momento melhor para vender a produção. Foi o que ocorreu com o milho que, com menor oferta, subiu de R$ 17 para R$ 21 a saca.

E o que se esperar do plantio do milho safrinha?

Eu acho que não atinge a área do ano passado, independente dessa melhoria no preço. Por exemplo, em contratos futuros de exportação, vendemos a saca a R$ 23,30. Fechamos o embarque de quatro navios com 1 milhão de sacas cada um. É um preço muito bom, ainda mais considerando que o agricultor já adquiriu todos os insumos. Se o clima ajudar, o resultado será muito bom. Mas não acredito em aumento de área.

Os EUA tendem a aumentar a área de plantio de soja em 2015?

A tendência seria aumentar, tomando área do milho, que teve uma safra estrondosa de 365 milhões de toneladas, contra 106 milhões de toneladas da soja. Mas as projeções por enquanto são apenas conversas. Temos de aguardar o mês de maio, pois o norte-americano decide muito na hora do plantio, por influência do clima.

Coamo deve distribuir R$ 220 milhões


Produção industrial ajuda a manter renda da empresa

A Coamo Agroindustrial Cooperativa, com sede em Campo Mourão, no Centro-Oeste do estado, iniciou ontem a distribuição aos seus cooperados de R$ 73 milhões como parte das sobras de 2014. Segundo o presidente da empresa, José Aroldo Gallassini, esse volume corresponde a um terço do repasse total do ano.

A cooperativa destina metade das sobras do exercício aos cooperados em duas etapas: a segunda ocorre após a assembleia de balanço, em fevereiro próximo. A expectativa é repassar perto de R$ 220 milhões aos associados. O repasse é proporcional aos lucros.

O faturamento da Coamo, segundo o seu presidente, José Aroldo Gallassini, deve ficar acima dos R$ 8,18 bilhões movimentados em 2013, quando as sobras líquidas totalizaram R$ 519,7 milhões. Com 26 mil associados e 44 anos de atuação, a cooperativa tem 116 unidades em 67 municípios.
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