Japão conta com o brasil para voltar a crescer

Germano Oliveira

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse ontem, em São Paulo, durante a abertura do Fórum Econômico Brasil-Japão, que conta com o Brasil e países da América Latina para a retomada do crescimento da economia japonesa

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse ontem, em São Paulo, durante a abertura do Fórum Econômico Brasil-Japão, que conta com o Brasil e países da América Latina para a retomada do crescimento da economia japonesa e que resumiria seus objetivos na região com três frases ditas por ele em português: progredir juntos, liderar juntos e inspirar juntos . 

Sem repetir as críticas feitas na sexta-feira em Brasília, quando reclamou dos entraves no Brasil para as empresas japonesas aqui instaladas, Abe disse que o Japão pretende aprofundar sem limites as relações comerciais japonesas com o Brasil e países latino-americanos. Para ele, o Japão está reavaliando a importância da América Latina, e disse esperar propostas do setor privado para negociação de um eventual acordo de livre comércio com o Mercosul. 

- O Japão quer unir mãos e corações nesse esforço de construir um mundo melhor para nossos filhos. Quando digo progredir juntos é no sentido de estruturar os laços que unem Brasil e Japão há centenas de anos. Estamos adotando medidas de política fiscal de modo que se dê dinâmica para alavancar o nosso crescimento e espero que os senhores (empresários brasileiros e japoneses) confiem nesse novo Japão. Queremos progredir juntos e prosperar juntos - disse Abe, citando vários projetos conjuntos entre os dois países que podem ser incrementados, como os satélites para monitorar a Floresta Amazônica. 

Abe disse que, quando se referiu ao liderar juntos , ele queria lembrar que o Brasil e os países latino-americanos foram os primeiros a abrir as portas ao Japão quando o país batalhava para se modernizar no pós-guerra. 

- Japoneses e países latino-americanos têm grande zelo pelos direitos humanos, democracia e estado de direito, assim como outras lutas em comum como o livre comércio e os tratados de não proliferação de armas nucleares - afirmou. 

Expansão de intercâmbio 

Depois de informar que o Japão investe US$ 30 bilhões por ano na América Latina, Abe lembrou das parcerias que japoneses e brasileiros fizeram e que levaram a projetos bem-sucedidos, como o plantio de Soja no cerrado brasileiro por empresários japoneses, o que levou o Brasil a ser hoje o maior produtor mundial de Soja . 

Abe disse que pretende estimular e expandir o intercâmbio entre jovens brasileiros e japoneses, adiantando que atualmente mil jovens latino-americanos descendentes de japoneses já fazem uso desse intercâmbio para desenvolvimento no Japão. Ele encerrou ontem uma visita de uma semana a cinco países da América Latina (México, Chile, Colômbia e Trinidad Tobago, além do Brasil). 

O único executivo japonês que tocou nos problemas de Infraestrutura no Brasil a prejudicar as empresas japonesas foi Sadayuki Sakakibara, presidente do Keidanren (a federação dos empresários do Japão), mas passou bem ao largo, sem detalhar quais eram os problemas. O vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José de Freitas Mascarenhas, disse que os acordos da entidade com o Keidanren procuram pôr fim aos obstáculos que eventualmente existem, sempre com o objetivo de gerar renda e emprego nos dois países . 

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) lembrou que São Paulo foi o primeiro estado a dinamizar o intercâmbio com os japoneses, ao atrair, em 1908, as primeiras 165 famílias de imigrantes japoneses que chegaram a Santos no navio Kassatu Maru .
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