China: oportunidade de negócios para os suinocultores brasileiros

Da Redação

Em solo chinês, a missão liderada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos e apoiada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério das Relações Exteriores pode conhecer de perto as oportunidades comerciais entre os dois países



Conhecidos por seus preços baixos, os produtos "made in China" conquistaram o mercado e consolidaram o país asiático como a "fábrica do mundo". Em solo chinês, a missão liderada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e apoiada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) pode conhecer de perto as oportunidades comerciais entre os dois países, prospectar compras de equipamento e tecnologia; obter percepções de compradores chineses sobre os produtos suínos brasileiros; além de conhecer “in loco” a realidade de oferta e demanda da carne suína na China, bem como conhecer as dinâmicas do mercado chinês, seus aspectos culturais e perspectivas futuras. 

Entender as principais questões regulatórias que impactam ou podem impactar o comércio de produtos brasileiros no mercado chinês foi um dos primeiros passos da comitiva. Por meio do Pork Summit, mais de 60 profissionais entre instituições e empresas dos dois países conheceram as oportunidades de transações comerciais entre o Brasil e a China no âmbito da produção e da indústria, além do enorme mercado para carne suína e derivados em ambos os países. 

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, abriu o encontro apresentando o “Panorama da Cadeia de Valor da Suinocultura Brasileira”, destacando os principais fatores de produção que colocam o Brasil como 4º maior produtor e exportador da carne suína no mundo. Entre os principais pontos abordados a está a infra-estrutura, como a grande disponibilidade de terra e aumento da escala de produção; abordou também a genética como foco importante para o crescimento da suinocultura brasileira, que hoje foca na prolificidade e na produção de carne magra. Outro importante ponto apresentando aos participantes foram a preocupação com a biosseguridade. 

As oportunidades de comércio na China, que figura como o maior produtor e consumidor mundial de carne suína, foram apresentadas pela Cônsul-Geral em Xangai, Ana Cândida Perez, que destacou o processo de expansão do país que atualmente prevê até 2020 ter 40% da sua população inserida na classe média. “Isso representa um alto poder de consumo, uma oportunidade de grandes proporções aos países que pretendem exportar para cá”, comentou. 

Já a adida agrícola da embaixada do Brasil em Pequim, Andrea Bertolini, destacou que o mercado de carne suína é um das grandes prioridades do agronegócio brasileiro na China. “É importante destacar que hoje a China escolhe o que compra, de quem compra e em quais condições compra. Isso faz que com seja preciso uma estratégia e organização para acessar esse mercado e ser competitivo com outros países e outras ofertas”, alertou. 

Segundo dados apresentados pela Adida, a China é um grande importador de carne bovina e frango, mas em 2012 importou 1 milhão de toneladas de carne suína, sendo grande porcentagem proveniente dos Estados Unidos. A carne suína está em sexta colocação nos produtos brasileiros exportados para a China. 

Por meio da palestra do gerente geral de suínos da Shanghai Songlin Industrial Trade Company, Foo Jing Lee, a comitiva brasileira teve o primeiro contato com o formato da produção de suínos na China. A empresa que possui atualmente cerca de 6 mil matrizes e produz mais de 120 mil animais ano é um dos modelos que mais cresce no país, a produção verticalizada. Formato que prevê a produção interna de todos os elementos, da base ao varejo. No caso da Songlin, o modelo é decorrente da preocupação em manter o controle sobre as tecnologias de processo, de produtos e negócios (segredos industriais). Já o vice-diretor da Comissão de Agricultura de Xangai, Li Jian Ying, abordou sobre o perfil da suinocultura na China e as oportunidades e barreiras para negócios. 

Por fim, o evento também abriu as portas para a suinocultura nacional nos Consulados brasileiros em Pequim e Xangai, por meio dos representantes diplomáticos do Brasil na China: Ana Cândida Perez, Cônsul-Geral em Xangai; Andrea Bertolini, Adida Agrícola da Embaixada do Brasil em Pequim e André Saboya, Consul para promoção comercial e investimentos, que deram todo o suporte institucional ao evento e a missão em solo chinês. 

Dinâmica do mercado consumidor chinês 

Outro objetivo da missão técnica foi conhecer as dinâmicas do mercado chinês, seus aspectos culturais e perspectivas futuras. Esse panorama pode ser avaliado durante a maior feira de alimentos do mundo, a SIAL China 2014, vitrine única do mercado alimentício mundial e referência para compradores em busca de fornecedores e parceiros chineses e internacionais, que aconteceu de 13 a 15 de maio na cidade de Xangai. 

Na feira, a comitiva teve a oportunidade de levantar informações sobre a indústrias alimentícia, como qualidade, perfil do consumidor e serviços. “Apesar da forte presença internacional, é uma feira voltada para a China, com a presença de diversos expositores todos com grande interesse em entrar no mercado chinês, que marcaram presença para conhecer e mostrar suas novidades em alimentos e bebidas”, comentou o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, “entretanto, nosso trabalho é avaliar a evolução do consumo de alimentos na China e entender como a carne suína pode ser inserida nesse mercado, uma vez que com o aumento na renda per capita da população, há maior consumo de carnes e alimentos processados, um espaço que precisa ser explorado para a carne suína brasileira”. 

As preferências no consumo de alimentos da população chinesa têm se aproximado em boa medida dos padrões de consumo de países desenvolvidos, o que pode ser percebido claramente nos produtos apresentados na SIAL. A comida processada vem ganhando espaço na mesa dos consumidores chineses e segundo dados da Euromonitor International (empresa que fornece relatórios de pesquisa de mercado, estatísticas e outras informações sobre países e consumidores), a China será a maior consumidora de comidas processadas até 2015. Sua população poderá chegar a incrível marca de 107 milhões de toneladas de alimentos processados consumidos, o que ultrapassará os 102 milhões de toneladas anualmente digeridas pelos Estados Unidos. 

“A SIAL é o mais importante encontro profissional agroalimentar do mundo, pois reúne todos os atores do mercado, além dos setores de distribuição, de food service, de importação/exportação e da indústria. Nós brasileiros temos muito o que aprender com o mercado de alimentação, principalmente para atender o consumidor atual”, comentou o diretor da Microvet, José Lúcio dos Santos, ao avaliar os produtos apresentados nos pavilhões da feira. “Precisamos também agregar valor aos nossos produtos, não só pensar em carne suína in natura para exportação. A China está em franco crescimento e essa é uma grande oportunidade para os produtores de suínos e para a indústria brasileira”, concluiu. 

Para o presidente da ASCE e diretor financeiro da ABCS, Paulo Helder Braga, a SIAL foi ideal para conhecer os últimos lançamentos e o que vai ser tendência na indústria mundial do setor de alimentos. “O evento contou com centenas de empresas internacionais e chinesas, com um diversificado mix de produtos, onde pudemos conferir de perto as inovações e tendências de alimentação do mundo”, comentou. 

Os produtos brasileiros também marcaram presença na SIAL 2014. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) reuniram expositores em mais de 250m² no Pavilhão Brasil. Ao todo foram 52 empresas brasileiras dos segmentos de carne, café, açúcar orgânico, bebidas alcoólicas, sucos, mel, chocolates, produtos de mercearia, castanhas, frutas desidratadas, entre outros.
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