Santarém ganha preferência


Marianna Peres

Porto localizado no Pará foi o principal destino do cereal mato-grossense que seguiu para exportação no mês de agosto



O  porto de Santarém, localizado no Pará, foi o segundo destino do milho mato-grossense que seguiu para exportação no mês passado. Conforme dados elaborados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), essa mudança no ‘ranking’ dos principais portos receptores do milho produzido no Estado tem a ver com a tentativa de escapar do estrangulamento dos portos de Santos (SP), principal ponto de embarque, e Paranaguá (PR). Santarém aparece na segunda posição, com 14,7% dos embarques do Estado no último mês, movimentado 280,3 mil de toneladas. A mudança não apenas aliviou o impacto do gargalo logístico como também atenuou o peso do frete sobre o transporte da commodity. 

Como explicam os analistas do Imea, com uma produção recorde de 21,9 milhões de toneladas para a safra 2012/13, em Mato Grosso, e tendo a como principal destino as exportações, seria evidente o agravamento dos principais gargalos estruturais. “No último relatório da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), das 1,9 milhão de toneladas exportadas pelo Estado em agosto, 66,6% foram embarcadas pelo porto de Santos, seguindo como principal porta de saída do milho mato-grossense. Todavia, o tradicional porto de Paranaguá, que até o ano passado era o segundo principal ponto de embarque, caiu para a quinta posição em agosto”. 

Essa nova configuração, como aponta o Imea, impactando favoravelmente sobre o custo de envio com frete, uma vez que o despacho do milho de Sorriso a Santarém está cotado atualmente em média R$ 240/t, 14,3% menor que o envio do mesmo município até Santos, com média de R$ 280/t. “Após a conclusão da BR-163, que ligará Cuiabá a Santarém, projeta-se um volume muito maior a ser escoado pelo porto de Santarém, trazendo benefícios não só para o bolso do produtor”, destacam os analistas. 

Considerando que hoje um dos fatores que reduzem os volumes de exportações não só de Mato Grosso, mas do Brasil como um todo, é a logística com o transporte das commodities, com uma infraestrutura melhor para o escoamento do grão, as exportações tendem a crescer e menos dinheiro deve ser desembolsado para arcar com os custos do frete. 

BR 163 - A BR 163 estará totalmente concluída até 2015, afirmou o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Jorge Fraxe, na semana passada ao participar do Fórum Brasil Central do Agronegócio, realizado em Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá). 

Fraxe explicou que o trecho mato-grossense da BR 163 está praticamente consolidado, restando a pavimentação de mil quilômetros no estado do Pará. A conclusão vai possibilitar o acesso aos portos do Norte do país e assim resolver boa parte dos problemas relacionados ao transporte da produção agrícola. “O Norte é de fato o melhor caminho para Mato Grosso acessar o mercado consumidor internacional”. Ele reconheceu que o principal gargalo para competitividade do agronegócio estadual é a BR 163. 

Como reforçou, logística não é apenas a estrada, o caminhão ou o rio navegável. “Logística é o sistema que contempla o transporte, é a intermodalidade que faz com que as vias não fiquem congestionadas”. Para a produção estadual, Fraxe citou importantes eixos modais, além da BR 163, as BRs 242, 364, 158, 155 e 080, integrados às hidrovias Tocantins, Madeira e Tapajós. 

PESO DO CUSTO - Os custos para produzir o milho, em Mato Grosso, segundo o Imea, vêm aumentando nas últimas safras atingindo na safra 2012/13 o valor de R$ 1,64 mil/ha, 13,2% a mais que na safra anterior, quando havia sido R$ 1,45 mil/ha. 

Do total investido na produção deste ciclo, 90,8% foram destinados aos custos variáveis, sendo 56,6% do custo total com insumos (sementes, fertilizantes e insumos). Para a próxima safra, 2013/14, a projeção é de 11,5% de aumento nos gastos com insumos, com a estimativa de aumento de 5,4% nos custos totais da safra 2012/13. Dentre os itens que alavancarão o custo estão os fertilizantes, defensivos e o custo da terra. “Nesse contexto, é imprescindível o reajuste no preço do milho para o próximo ano, atualmente abaixo de R$ 11/sc, para diminuir o risco econômico da cultura”. 

Os preços do milho no mercado interno apresentaram leve queda na última semana, encerrando com média de R$ 10,39/sc, 3,7% inferior à semana anterior.

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