Produção oscila muito, enfraquecendo a indústria

Editorial Econômico

Entre maio e junho,a produção industrial cresceu 1,9% segundo o IBGE


Entre maio e junho,a produção industrial cresceu 1,9% segundo o IBGE, o que apenas contrabalançou a queda de maio. Não se pode falar em mudança na tendência de fraqueza da indústria que caracteriza o ano nem há otimismo com relação aos próximos meses. Ninguém visualiza uma forte recuperação", notou a economista Thais Zara, da consultoria Rosenberg. O consumo cresce em ritmo lento e a recuperação da confiança é gradual.

O comportamento da indústria é marcado pela volatilidade: da alta de 2,6%, em janeiro, passou à queda de 2,2%, em fevereiro, à evolução de 0,9%, em março, e 1,8%, em abril, e ao recuo de 1,8%, em maio. Nada pior para o planejamento, o fluxo de caixa e as decisões de investimento das empresas. Uma situação só comparável, em matéria de incerteza, à política monetária dos anos 70. Agora, trata-se do padrão zigue-zague, como definiu o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartzman ao Estado.

Segundo o IBGE, a produção cresceu em 22 dos 27 setores analisados, com destaque para a indústria farmacêutica, Máquinas e Equipamentos, outros equipamentos de transporte e veículos automotores. Mas esses quatro segmentos haviam mostrado forte recuo em maio.

O pior resultado, em junho, veio do setor de bens intermediários (matérias-primas e outros insumos), com queda de 0,2% nos últimos 12 meses e alta de apenas 0,4% entre os primeiros semestres de 2012 e 2013. Os melhores resultados vieram dos bens duráveis, estimulados por incentivos fiscais, e dos bens de capital. Mas, mesmo nesse segmento, há indicações preocupantes, como a queda da produção de bens de capital para energia elétrica - reflexo do desestímulo provocado nas empresas pela política de redução de tarifas.

A produção industrial diminuiu 2,6% em 2012, um dos piores períodos da história do setor. Não há, pois, por que comemorar o pequeno crescimento de junho, dada a base fraca de comparação. E, pelos indicadores indiretos mais recentes, o entusiasmo das empresas tem sido, quando muito, episódico. Entre as análises divulgadas ontem, a da LCA Consultores trata de investimentos, que seguiram em atoada forte" no segundo trimestre, com alta estimada em 8,6% em relação a igual período de 2012. Com a ressalva: se a confiança empresarial não for, em parte, revertida, o cenário de expansão de investimentos em 2014 "pode ficar comprometido".
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