Sinais de diminuição do spread bancário

Editorial Econômico

O relatório sobre Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro, distribuído ontem pelo Banco Central, trouxe uma notícia alvissareira: houve uma leve queda do spread bancário

O relatório sobre Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro, distribuído ontem pelo Banco Central, trouxe uma notícia alvissareira: houve uma leve queda do spread bancário, ou seja, da diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação das instituições. Para as pessoas físicas, o spread diminuiu de 16,9 pontos porcentuais, em maio, para 16,3 pontos, em junho; e, para as jurídicas, de 6,8 pontos porcentuais para 6,7 pontos. Ou seja, em hora de alta da taxa básica de juros, os bancos absorveram, em parte, o ônus, interrompendo a tendência histórica de repassá-lo para os tomadores de crédito.

Mas esse aspecto positivo resulta, em parte, de outro, negativo: os consumidores buscam menos empréstimos. Parecem preocupados com a desaceleração da economia, a queda do poder aquisitivo do salário e, provavelmente, também em avaliar o efeito das manifestações populares contra o governo sobre sua vida.

Em junho, o saldo dos empréstimos das pessoas físicas cresceu 1,4%, mas as concessões de crédito diminuíram 5,2%. Quando podem, os devedores quitam as dívidas. A inadimplência declinou.

No primeiro semestre, as concessões de crédito foram maiores por conta dos vultosos desembolsos do BNDES, que cresceram 72% em relação ao mesmo período de 2012. É um aspecto preocupante da oferta de crédito, mas não o único.

Entre maio e junho, os bancos públicos elevaram sua participação nos empréstimos de 49,4% para 50,3%. Superaram, assim, a soma dos créditos oferecidos por bancos privados nacionais e estrangeiros. Ao mesmo tempo, os empréstimos ao setor público (União, Estados e municípios e atividades empresariais) cresceram 5,8% no mês e 46,7% em 12 meses. Ao que parece, o Estado se endivida com o próprio Estado, acentuando as preocupações com os bancos públicos.

São distorções, agravadas pela decisão do governo federal de conceder mais subsídios a alguns consumidores (os mutuários do Minha Casa que compram eletrodomésticos), enquanto os que procuram crédito livre pagam juros de mercado, em alta média de 34,2% ao ano para 34,9% ao ano, entre maio e junho. A política de estímulo ao consumo surte cada vez menos efeito.

O crédito imobiliário cresceu 2,9% no mês e 15,9% no ano, com baixa inadimplência e mais depósitos de poupança. Mas isso reflete o medo do futuro. O público parece trocar consumo por reservas.
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