Para associação, Brasil precisará importar algodão este ano


Da Redação

O Brasil precisará importar cerca de 200 mil toneladas de algodão ao final deste ano para atender à indústria têxtil, uma vez que a oferta local será insuficiente para cobrir a necessidade do setor



O Brasil precisará importar cerca de 200 mil toneladas de algodão ao final deste ano para atender à indústria têxtil, uma vez que a oferta local será insuficiente para cobrir a necessidade do setor, estimou o presidente da associação que reúne produtores da pluma.

Esse volume, previsto para ser importado entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014, é expressivo na comparação com as 3,5 mil toneladas importadas em todo o ano passado, quando a oferta foi grande após duas grandes safras em 2011 e 2012.

Nos próximos meses, o País não terá necessidade de realizar compras externas pois poderá contar com sua safra à medida que uma colheita menor em 2013 avança.

"Com a alta do dólar, a indústria brasileira também passa a ficar competitiva [para exportar]... E o mercado interno está mais aquecido, vai ter que usar estoque, e importar entre dezembro e janeiro", disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso.

No balanço feito pela associação, a produção de 2012/2013 foi estimada em 1,25 milhão de toneladas, mas 450 mil toneladas estão compromissadas com exportações, que já contam com linhas de financiamento de adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC).

Contudo, a demanda anual da indústria têxtil é estimada em cerca de 1 milhão de toneladas, o que implicaria na necessidade de importar para cobrir à esperada demanda do setor.

Há cerca de três anos, o Brasil teve de importar volumes expressivos em função da oferta restrita de algodão no País, situação semelhante à atual. A Abrapa aponta o preço médio pago no mercado interno perto de 68 reais por arroba, comparado a cerca de R$ 62 por arroba no mercado externo, em cálculo que considera US$ 1 de R$ 2,20.

Os produtores vêm reivindicando junto ao governo a elevação do preço mínimo no Plano Agrícola e Pecuária, usado como referência para eventuais instrumentos de apoio em caso de forte baixa das cotações, como forma de manter o estímulo para incremento da produção nacional.

No plano de safra anterior, o preço mínimo foi de 44,60 reais por arroba, em comparação ao custo estimado de produção entre 60 e 61 reais por arroba para o ciclo 2013/14, de acordo com a Abrapa.

Apesar de já ter lançado o Plano Agrícola e Pecuário da atual safra, o governo ainda não publicou o valor do preço mínimo, que, na avaliação da Abrapa, deveria subir para 61 reais por arroba na temporada 2013/14, quando se espera uma grande produção. "O Brasil foi o terceiro maior exportador de algodão do mundo no ano passado, agora precisará importar. Esperamos que o governo se sensibilize", observou Pinesso.
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