Grupo de Trabalho da CNA propõe medidas para melhorar competitividade da "cafeicultura de montanha"

Assessoria de Comunicação CNA              

Em Minas Gerais, maior produtor nacional, o café cultivado em região de montanha responde por 70% da produção, com uso intensivo de mão-de-obra



Preços mínimos diferenciados, inovação tecnológica, erradicação de cafezais improdutivos e redução dos custos de mão-de-obra na cafeicultura de montanha são algumas das propostas em discussão para tirar o setor da crise que vem consumindo a renda do produtor rural. O café de montanha – cultivado em lavouras com declividade acima de 25% – é o principal tema do Grupo de Trabalho coordenado pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), para avaliar a situação do setor.

O estudo propõe também a renovação de cafezais em áreas de montanha a partir da liberação de linhas de crédito e investimento com juros de 2% ao ano e outros dez de prazo para pagamento, além deum período de quatro anos de carência.

Uma das ideias inovadoras do Grupo de Trabalho está na adoção, pelo poder público, de “compensação financeira para as despesas do setor com mão-de-obra e incentivo à formalidade”. O estudo sugere, também, a adoção de um bônus de 33% correspondente ao total recolhido com FGTS e os gastos com previdência.

Gastos com pessoal - Esse bônus é decorrência, segundo o estudo, das elevadas despesas com pessoal da cafeicultura de montanha que representam 50% do custo efetivo e operacional na produção, de acordo com dados do Campo Futuro de 2012. Nas regiões de declividade menos acentuada, com a presença de mecanização, esses custos podem cair para 25% do gasto total do agricultor.

As lavouras de café em área de montanha predominam nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. No maior estado produtor de café do país, Minas Gerais, a “região de montanha responde por até 70% da cafeicultura local, envolvendo 155 municípios, mais de 67 mil produtores e uma área cultivada de 500 mil hectares”, assinala o estudo da CNA.

Ao mesmo tempo, detalha o documento, essas lavouras, ao longo dos anos, “vêm perdendo competitividade e expondo a risco a estrutura econômica e social dos municípios onde são encontradas, pois, em muitas dessas cidades, é a principal fonte de riqueza e renda das economias locais”.

Conteúdo social - Outro estudo, do Instituto Antônio Ernesto de Salvo (INAES), denominado “Caracterização da Cafeicultura de Montanha de Minas Gerais”, de 2010, mostra que a economia cafeeira nas montanhas mineras possui forte conteúdo social. É o segmento mais importante no Estado em geração de emprego. Para cada R$ 1 milhão investido na produção de café são criados 238 novos empregos em Minas Gerais, demonstra o trabalho.

Diante desse quadro, da relevância econômica do café de montanha e das dificuldades atualmente enfrentadas pelo setor, o Grupo de Trabalho liderado pela CNA propõe quatro medidas básicas, ao Governo Federal, para reerguer o segmento e dar mais produtividade e competitividade a esse tipo de atividade econômica.

Os destaques são: preços mínimos regionalizados; aporte financeiro; inovação tecnológica; renovação e erradicação de cafezais, além de desenvolvimento de máquinas a serem utilizadas nas regiões montanhosas.

A erradicação de cafezais improdutivos se daria através da concessão, pelo poder público, de bônus até o valor de R$ 10.000,00/hectare (correspondente ao valor da implantação de 01 hectare de café), abatidos em dívidas acumuladas, “tidas como impagáveis”, revela o levantamento.

Contrapartida ambiental – A adoção desses incentivos seria acompanhada, segundo a CNA, de algumas contrapartidas do cafeicultor. Uma delas, de caráter ambiental, “com a redução do custo da produção, aumento da produtividade, melhoria da qualidade dos grãos, melhor conservação do meio ambiente a serem alcançadas com por de programas de sustentabilidade”, define o documento.

Seriam realizados, também, cursos de gestão da propriedade rural montanhosa, com capacitação de instrutores e dos produtores, com a participação do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas ).
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