Em 2013, passos incertos na produção industrial


Editorial Econômico

Em maio, a produção industrial caiu 2% em relação a abril, o dobro do 1% que os agentes econômicos esperavam



Em maio, a produção industrial caiu 2% em relação a abril, o dobro do 1% que os agentes econômicos esperavam. E o recuo foi generalizado, afetando 20 dos 27 setores industriais analisados na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Está sendo preciso procurar com lupa os aspectos positivos do atual andamento da produção da indústria.

Em 2013, o comportamento da produção manufatureira vem mostrando altos e baixos acentuados -crescimento em janeiro, março e abril e recuo em fevereiro e maio. O que se havia ganhado em abril foi perdido em maio, para a maior parte dos setores. Essa variação dificulta as decisões de investimento, as contratações de pessoal e outras previsões. O resultado é que volta a haver acumulação de estoques, o que torna mais difícil uma recuperação sustentada nesse setor.

Entre as categorias de uso, a queda da PIM foi liderada pelo segmento de bens de capital (-3,5%), em que se depositavam as maiores esperanças de crescimento e de retoma-dados investimentos. Entre as atividades, a queda foi puxada pela produção de alimentos (-4,4%), que um gerente do IBGE, André Macedo, atribui ao impacto da inflação no orçamento doméstico.

Comparativamente a 2012, quando o PIB industrial caiu 2,6%, ainda se pode prever melhoria nos números de 2013,mas os indicadores positivos são cadentes. Entre os meses de maio de 2012 e 2013, por exemplo, houve alta no ritmo da produção industrial de 1,4%. E a produção acumulada dos primeiros cinco meses deste ano superou em 1,7% a do ano passado. Mas, na comparação entre os últimos 12 meses, até maio, com os12meses precedentes, registrou-se uma queda de 0,5%.

Entre as avaliações mais otimistas está a de um crescimento da produção de 2,5%, neste ano, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Outros especialistas, como a LCA Consultores, são mais cautelosos, estimando alta anual de 2,3%.

Os estímulos oficiais já concedidos à indústria, alguns dos quais já em fase de redução (como o IPI para produtos da linha branca),não surtiram o efeito desejado de aceleração do consumo e, assim, sobre a demanda de produtos industriais e o PIB. O motivo principal tem sido a perda de poder aquisitivo dos salários.

Predominam os fatores negativos para a indústria, como abaixa produtividade e os custos elevados. O efeito positivo esperado do câmbio menos valorizado poderá demorar.
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