Brasil embarca volume maior de grãos para segurar receita


Camila Souza Ramos

As exportações de grãos do Brasil cresceram em um ritmo maior do que o resultado financeiro entre janeiro e junho deste ano



As exportações de grãos do Brasil cresceram em um ritmo maior do que o resultado financeiro entre janeiro e junho deste ano. No primeiro semestre, as exportações do complexo soja e do milho cresceram 37,7%, enquanto a receita com as vendas externas dessas commodities aumentou 25,8%. O descompasso, segundo analista consultado pelo DCI, é resultado da redução do preço das commodities nesse período.

De acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e organizados pela Céleres Consultoria, o maior destaque dessa primeira metade do ano foi o milho. Até o 20º dia de junho, o País exportou 8,5 milhões de toneladas de milho, ante um volume de 1,5 milhão de toneladas no primeiro semestre do ano passado.

O volume do primeiro semestre deste ano é 5,6 vezes maior. Em comparação, o resultado financeiro com as exportações de milho cresceu exatamente cinco vezes. A receita acumulada com as vendas do cereal ao mercado exterior passou de US$ 0,5 bilhão para US$ 2,5 bilhões na comparação entre os dois semestres.

"Só o milho colocou US$ 2 bilhões a mais na balança comercial. Embora esteja caindo o preço médio, essa queda está sendo mais do que compensada pelo crescimento do volume", observa Anderson Galvão, diretor da Céleres.

Apesar do destaque do milho, as exportações do complexo soja - em grão, farelo e óleo - continuam a protagonizar a balança do agronegócio brasileiro. As exportações da commodity passaram de 23,4 milhões de toneladas no primeiro semestre do ano passado para 26,2 milhões de toneladas neste ano, o que representa uma alta de 11,9%.

Já os valores referentes à exportação do complexo soja cresceram de forma mais modesta: entre os dois períodos, a alta foi de 10,1%, de uma receita de US$ 11,9 bilhões para US$ 13,1 bilhões.

A redução observada isoladamente no mês de junho, segundo Galvão, não pode ser considerada, já que a redução do volume de embarques em junho é uma característica sazonal da cadeia do grão, pois a maior parte das exportações é feita até abril. "A queda que aconteceu pontualmente em junho comparado a maio é uma queda sazonal. No acumulado, o complexo soja está no saldo positivo". Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o volume de 6,57 milhões de toneladas é 36% maior.

Já as exportações de milho continuam a ser impulsionadas pela colheita da segunda safra do grão e devem manter altos volumes de embarques até o fim de setembro, quando começa a ser colhida a safra norte-americana. "O milho ainda vai continuar exportando porque a safra norte-americana ainda não está definida. Se os Estados Unidos tiverem uma safra excepcional, as vendas de milho vão perder fôlego", ressalta o analista.

Os altos rendimentos na safra passada estimularam o aumento da área plantada com milho e soja nesta safra. Foi o caso de Jason Lamera, produtor de milho de Sorriso (MT). No ano passado, sua família havia plantado pouco mais de 200 hectares de milho e feijão. Neste ano, a área que ele plantou do cereal passou para 1,2 mil hectares, de onde saíram 10 mil sacas. A produtividade da fazenda de Lamera, de 5 toneladas por hectare, está ligeiramente acima da produtividade média nacional, de 4,9 toneladas por hectare.

Ontem, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Antônio Andrade, ressaltou que há espaço para aumentar esse índice no País.

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