BNDES tem R$ 9 bi para infraestrutura


Vinícius Neder

Valor representa aumento de 23,3% nos financiamentos liberados pelo banco para esses tipos de projetos no ano passado



Projetos de Infraestrutura Logística deverão receber R$ 9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano, o que representa aumento de 23,3% sobre os empréstimos do ano passado.

A conta inclui os primeiros recursos para o pacote de concessões anunciado ano passado.

Para este segundo semestre é esperada uma concentração de leilões de concessão. O vice-presidente do BNDES, Wagner Bittencourt, afirmou ao Estado que alguns procedimentos de análise já estão sendo simplificados. "Vamos atender às metas. O banco não será um gargalo para o desenvolvimento dos projetos de Logística do País", declarou o executivo, responsável também pela Área de Estruturação de Projetos do banco.

O Programa de Investimento e Logística (PIL) foi anunciado em agosto de 2012 pelo governo. Pelo cronograma atual, após sucessivos atrasos, os leilões para Rodovias acontecerão de 20 de setembro a 20 de dezembro. O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, tem reafirmado que o governo não cogita novo adiamento. Mesmo o leilão do trem de alta velocidade (TAV) permanece marcado para setembro,

No ano passado, o BNDES liberou R$ 7,3 bilhões para empréstimos em Logística, alta de 60% sobre 2011. Aí estão incluídos os empréstimos-ponte para os três aeroportos concedidos à iniciativa privada: Guarulhos, Campinas e Brasília.

De acordo com o chefe do Departamento de Logística (Delog) do banco, Cleverson Aroeira, a meta é aprovar os financiamentos de longo prazo desses três projetos ainda este ano.

Cronograma» A expectativa é que as concessões de Rodovias saiam na frente. Em seguida, Aroeira espera a chegada dos projetos de financiamento para os Aeroportos do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte. Por fim, virão os projetos de investimentos em ferrovias e portos.

Os leilões de concessão das Rodovias BR-040, de Juiz de Fo-ra (MG) a Brasília, e da BR-116, em Minas - os primeiros de nove trechos do PIL seriam em janeiro, mas foram adiados para fazer ajustes. As negociações com o setor privado incluíram o aumento de 5,5% para 7,2% da taxa interna de retorno (TIR) prevista como referência nos editais e o reajuste dos preços dos pedágios.

Apesar da polêmica em torno das taxas de retorno dos projetos, para Bittencourt isso não seráum entrave. "Temos observado que existe interesse tanto de investidores nacionais quanto internacionais", afirmou, destacando a importância da segurança regulatória e a variedade na oportunidade de negócios. "São poucos lugares no mundo em que você tem tantos e tão bons projetos."

Ágio» Bittencourt dá como exemplo a concessão dos aeroportos, cujo modelo foi desenhado por ele na Secretaria de Aviação Civil Segundo ele, chamaram a atenção os ágios de 673% no leilão do Aeroporto de Brasília e de 373%, em Guarulhos, pagos pelos consórcios vencedores, mas todos os grupos deram "lances ousados".

Bittencourt arrisca que os leilões dos Aeroportos de Confins e Galeão devem repetir ágios elevados. O executivo destacou que os valores mínimos de outorga não estão definidos, mas, no caso do Galeão, o mínimo poderia chegar a R$ 8 bilhões, como revelou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, em abril.

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