Depois do tomate, feijão dispara


Quilo de feijão carioca já custa mais de R$ 6


O brasileiro que considera o feijão indispensável em sua mesa terá de se acostumar a pagar mais pelo produto. O avanço da soja sobre as áreas de cultivo e o risco alto da Lavoura reduzem cada vez mais a sua produção.

Com a queda no plantio, os períodos de preço alto vão se tornar rotina, avaliam técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Este ano, o preço médio do feijão carioca no varejo em São Paulo ultrapassou pela primeira vez R$ 6 o quilo, o dobro do que custava há três anos.

Pesquisadores dizem que o tempo do feijão barato acabou. Levantamento do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria mostra que o feijão carioca dobrou de preço nos supermercados da cidade de São Paulo em dois anos: em maio de 2011 a média foi de R$ 3,22, superou os R$ 40 quilo no ano passado e chegou a R$ 6,63 em maio deste ano.

No campo, o preço médio pago ao produtor paulista pela saca oscilou de R$ 161,69 em maio de 2012 para R$ 216,95 este ano, valorização superior a 60% em 12 meses. Em maio de 2011, o produtor recebia pela saca de feijão quase um terço: R$ 83,06.

A alta constante do feijão teve influência nos índices de inflação. De janeiro a maio, o feijão carioca, responsável por 85% do consumo, teve alta de 44% no IPCA, contra 2,9% do índice geral. A tendência de alta continua: os efeitos da boa safra no Paraná foram anulados pela quebra na safra argentina.

Entre as explicações para o aumento de preço está a queda na produção do Estado de São Paulo. Em 1983, as lavouras paulistas de feijão cobriram 503.419 mil hectares, produzindo 4,4 milhões de sacas de 60 quilos nas duas safras anuais. No ano passado, nas três safras atuais, incluindo a do feijão irrigado no inverno, a área cultivada foi de 113.487 hectares.

A produção, de 3,6 milhões de sacas, só não caiu na mesma proporção graças ao aumento de produtividade no campo.

Para o pesquisador do IEA, Alfredo Tsunechiro, o feijão é cultura de ciclo curto, de 90 dias do plantio à colheita, e as cotações são baseadas na oferta e procura, tomando os preços inconstantes. "Como o produtor agrega cada vez mais tecnologia à atividade, é normal que ele faça opção por culturas mais sustentáveis do ponto de vista econômico, como o milho e a soja."

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