PIB do setor deve crescer 4,5% e reverter perda, diz CNA


O agronegócio brasileiro deve crescer ao menos 4,5% neste ano e reverter o desempenho negativo de 1,89% registrado no ano passado

O agronegócio brasileiro deve crescer ao menos 4,5% neste ano e reverter o desempenho negativo de 1,89% registrado no ano passado. A projeção, feita pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), baseia-se no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do setor em janeiro, que avançou 0,95%, contra um recuo de 0,38% no mesmo mês de 2012. Os custos da ração continuam pressionando a Pecuária, o que levou pecuaristas a produzir milho e soja para seus rebanhos.

A superintendente técnica da CNA, Rosemeire dos Santos, destaca que a perspectiva positiva se dá por causa da supersafra de grãos, estimada em 185 milhões de toneladas para o período 2012/2013. Com o aumento da oferta, "melhoram os preços para a agroindústria e o PIB de toda a cadeia produtiva", afirma.

Em janeiro, toda a produção primária no campo cresceu 1,61%. No mesmo mês do ano passado, a produção agropecuária havia caído 0,11%. O ramo agrícola segue na frente, com um crescimento de 1,81%, enquanto a pecuária avançou 1,33%. A melhoria da produção pecuária no primeiro mês do ano reverte a perda de 0,29% no mesmo período de 2012 e é um reflexo do aumento da oferta de grãos, que tem diminuído os preços da ração, explica a superintendente técnica da CNA.

Além do avanço no PIB, o Cepea espera para 2013 um aumento no faturamento, principalmente no setor agrícola, já que o nível dos preços também está mais alto. Entre janeiro e fevereiro, os preços da agricultura estão em geral 6,54% acima do patamar do primeiro bimestre do ano passado, e estima-se que os da pecuária devam subir 15%, segundo a analista de macroeconomia do Cepea Adriana Silva.

Custo da pecuária

Por enquanto, os grãos mais importantes para a ração do gado - soja e milho - continuam registrando elevação de preços. Na comparação com o primeiro bimestre de 2012, o complexo soja subiu 22%, enquanto o milho, 2%, já descontada a inflação. Com isso, o custo da ração já subiu 14%, um dos componentes que tem pressionado os custos dos pecuaristas.

Gil Leôncio Duarte, que possui 8,6 mil cabeças de gado em Barretos (SP), conta que apenas o preço dos remédios subiu 10% na comparação com 2012. "As margens estão bastante apertadas por causa da inflação", reclama. Ele ampliou seus investimentos neste ano em mais de 4% e aumentou de 300 hectares para 1,3 mil hectares a área plantada com soja principalmente para evitar a dependência do preço da ração. Apesar da aposta, o produtor diz que não vê "perspectiva boa no setor agronegócio".

Adriana Silva, do Cepea, avalia ainda que a dependência de importações com insumos e a elevação do preço do óleo diesel e do custo com frete indicam manutenção do alto nível de gastos.

No caso da pecuária de corte, ela observa que pode ocorrer uma redução do confinamento dos bois, principalmente se o clima favorecer a criação de pastagem, que é mais barata.

Maurício Tonhá, um dos maiores pecuaristas do País, confirma que o cenário para o confinamento não é dos mais animadores, mas diz que manterá ao menos 10 mil de suas 15 mil cabeças de gado confinadas em Água Boa (MT). "A expectativa para este ano é razoável, mas ainda não temos experimentado essas melhorias nos preços", ressalta Tonhá, para quem o otimismo está mais baseado na expectativa de volumes maiores do que nos preços. Apenas o custo com a mão-de-obra para o bovinocultor subiu entre 20% e 30% na comparação com o ano passado.

Para a analista do Cepea, apesar do início do ano ser mais positivo que em 2013, "ainda estamos pisando em ovos". "Esses números podem mudar muito, principalmente no segundo semestre." 
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