O risco crescente no endividamento das famílias


Aumentou de 52%, em março, para 57,1%, em abril, o porcentual de famílias paulistanas que se endividaram para cobrir despesas de consumo ou investimento, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio)



Aumentou de 52%, em março, pa­ra 57,1%, em abril, o porcentual de fa­mílias paulistanas que se endivida­ram para cobrir despesas de consu­mo ou investimen­to, segundo a Federação do Comér­cio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio). Mais preocupante do que a tendên­cia de alta do endividamento fami­liar neste ano é a explicação desse fato, ou seja, a tentativa das pessoas de manterem o mesmo padrão devi­da, apesar da aceleração da inflação.

Não se trata, por ora, de uma ten­dência explosiva: entre abril de 2012 e abril de 2013, o porcentual de endi­vidados aumentou 6,5 pontos por- centuais,de 50,6% para 57,1%. Antes da alta do endividamento dos últi­mos meses, houve uma certa estabi­lização, que se deve à recomposição regular da renda das famílias por ocasião dos dissídios coletivos, do aumento do salário mínimo e das aposentadorias, bem como da ma­nutenção de índices baixíssimos de desemprego..

Os sinais de elevação da inadim­plência, além do mais, não estão con­solidados. Háummês, o economista Tulio Maciel, do Banco Central (BC), considerou que o momento mais crítico da inadimplência já passou. Mas na semana passada a Pes­quisa Nacional sobre Liquidação de Cheques, feita pelo Telecheque, mostrou que o índice de inadimplên­cia de cheques cresceu 7,94% entre março e abril, enquanto o nível de inadimplência passava de 3,15% para 3,40%.

O fato novo é a confirmação de que a inflação se consolida em nível mais robusto. Segundo o relatório Focus de 10 de maio, divulgado pelo BC com base nas expectativas dos agentes econômicos, a inflação ofi­cial, medida pelo IPCA, deverá atin­gir 5,8% em 2013, bem acima da projeção de 5,71%, do Focus de 3 de maio, antes da divulgação do último IPCA, de 0,55%, em abril.

Para os consumidores da classe média, que pagam mais ao comprar alimentos, ao quitar o aluguel e re­munerar as horas extras do pessoal doméstico, sem receber aumento de salário, a alternativa é consumir me­nores quantidades e cortar itens ou fazer dívidas.

Mas o endividamento, segundo a Fecomércio, cresceu justamente nos cartões de crédito (73,6% do to­tal das famílias) e ele tem de ser qui­tado, pois sujeita o devedor a taxas superiores a 190% ao ano. Assim, se as contas não se tomarem insuportá­veis neste ano, é provável que isso ocorra em 2014. O endividamento crescente é a pior opção diante do consumidor e para a economia.
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