Mercado aquecido


A ascensão de milhões de consumidores de classe média nos países emergentes deverá garantir um cenário cada vez mais rentável para a indústria mundial de carnes, favorecendo particularmente o Brasil

A ascensão de milhões de consumidores de classe média nos países emergentes deverá garantir um cenário cada vez mais rentável para a indústria mundial de carnes, favorecendo particularmente o Brasil. Analistas internacionais apostam também na permanência dos preços de produtos agrícolas em patamares elevados nos próximos 10 anos. Com isso, estaria afastado um dos principais fantasmas que rondam a economia brasileira, representado pelo receio de um declínio das cotações de grãos e de proteína animal, importantes para garantir o superavit na balança comercial.

Estimativas recentemente divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA na sigla em inglês) apontam para uma retomada segura dos preços dos produtos agrícolas a partir de 2014. Essa tendência para trigo, soja, arroz e milho vai até 2022 e deverá se repetir no comércio transoceânico de bovinos, aves e suínos. Com exceção do arroz, todas as demais culturas haviam atingido valores recordes nos mercados globais em 2012, puxados basicamente pelo aumento das importações asiáticas.

Impacto

Para o diretor de Políticas Globais do USDA, Mike Dwyer, outros fatores também estão favorecendo as apostas para o mercado de alimentos nos EUA e no resto do mundo. Entre elas está a tendência de maior produção de biocombustíveis, a expectativa de queda de barreiras comerciais, avanços nas técnicas agrícolas e nas áreas de cultivo. Ele lembra que o Brasil já se tornou o maior produtor de soja mundo e deverá logo ser também o maior exportador, ajudado pela China.

Dwyer observa que o número de lares de classe média está crescendo rapidamente nos grandes mercados emergentes, devendo chegar a 978 milhões em 2022, um salto de quase 40% sobre o número atual, com pouco mais de 600 milhões. “O impacto disso na demanda global de alimentos será significante”, resume. (SR)

Compartilhar

About Paulo Roberto Melo

0 comentários:

Postar um comentário