Começa "mercado de clima"


Mais do que nunca é o momento em que o produtor deve estar diariamente de olho nas oscilações e procurar o melhor valor para travar parcelas da produção

Se no ano passado a seca favoreceu os estoques nacionais e mato-grossenses, agora é o frio e a neve que podem, novamente, alavancar as cotações da soja e do milho, preços esses que veem se perdendo no Estado ao longo dos quatro primeiros meses deste ano. O chamado "mercado de clima" ditado pelas condições de plantio e das lavouras do hemisfério norte, é que vai cadenciar o dia-a-dia das commodities, ajudar a erguer ou não a saca do milho e contribuir, ou não, para a formação dos futuros da próxima safra de soja. 

Mais do que nunca é o momento em que o produtor deve estar diariamente de olho nas oscilações e procurar o melhor valor para travar parcelas da produção. Em um ano marcado novamente no Estado pelo recorde de produção da soja como também na expectativa por uma nova grande safra de milho, a segunda maior da história local  bem como pelo recorde do custo de produção da oleaginosa  valor que tende a ser pelo menos 21% maior na safra 2013/14 a guinada das cotações é mais do que necessária, é vital para que a despesa e a receita não promovam um novo descasamento de contas, como o vivido em 2004/05, quando teve início a maior crise do segmento agrícola mato-grossense.

Como destaca o Boletim Semanal do Milho, divulgado ontem pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as condições enfrentadas pelos produtores norte-americanos podem ser uma espécie de luz no fim do túnel. "A quase um mês para o início da colheita da segunda safra de milho no Estado, o mercado tem caminhado e se orientado de olho no clima. Por serem influenciados pelo mercado externo, os preços da saca de milho em Mato Grosso refletem, em parte, a situação corrente no exterior, principalmente nos Estados Unidos, por serem determinadores de preço e maior exportador do cereal. O país norte-americano apresentava até o dia 29 de abril apenas 5%, dos 39 milhões de hectares destinados ao milho, plantados. Em comparação à média dos últimos cinco anos, esse percentual representa um atraso de 26%".

Esse atraso se deve ao grande volume de chuvas e ao frio excessivo que vem ocorrendo no cinturão do milho norte-americano. Esse cenário tem refletido nos preços, que vêm apresentando aumentos constantes na Bolsa de Chicago, desde o dia 1º deste mês.

Como destacam os analistas, de forma geral, as lavouras mato-grossenses têm apresentado bom desenvolvimento. Isso ocorreu devido à existência de chuvas favoráveis em praticamente todo o ciclo da cultura, o que promete altas produtividades para esta safra. "Em meio a uma safra que tende a ser recorde, em Mato Grosso, e com preços atuais nada atrativos, uma possível menor safra norte-americana pode vir a trazer otimismo para o cenário do milho brasileiro".

MILHO EUA - A semeadura de milho nos Estados Unidos apresenta um desenvolvimento abaixo do esperado. Com clima desfavorável, apenas 5%, ante os 49% no mesmo período da safra passada, foram semeados. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (com sigla em inglês, USDA), os estados de Iowa e Ilinois, principais produtores milho, estão com um atraso de 34 pontos percentuais (p.p.) e 35 p.p., respectivamente. "Esses atrasos na semeadura do cereal podem fazer com que os produtores que não fizeram seguro de produção do milho optem pela semeadura da soja. Com a semeadura da oleaginosa tendo início logo após o plantio do cereal, se o clima não melhorar, corre-se o risco de a soja ser afetada como o milho e causar volatilidade no mercado", o que acirra ainda mais a natural volatilidade do mercado de clima.

A SOJA - As próximas semanas vão ser cruciais para definir a área que será destinada à soja nos Estados Unidos, alerta o Boletim Semanal da Soja, também elaborado e publicado pelo Imea.

"Devido à baixa oferta de grão no mundo, o foco permaneceu nos Estados Unidos. Com o atraso na semeadura do milho no país, há temores de que produtores norte-americanos optem por semear soja na área que seria destinada ao cereal, mas a alternativa, pelo menos por enquanto, não tem se mostrado viável. Como destaca o Imea, na última quinta-feira (2), em algumas regiões produtoras no Estado de Iowa, foi registrado 1,7? (43,18 mm) de neve. Este número foi 31% maior que o registrado em 1907, quando, em maio, foi registrado 1,3" de neve. "Com o clima adverso nos EUA, a semeadura da soja também corre o risco de ser atrasada. Desta forma, os preços também tiveram valorização em Chicago com uma proporção menor que a do milho, que está com 26% de atraso na semeadura em relação à média de cinco anos". 
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