AGROBrasília supera as expectativas

Balanço parcial divulgado pelos organizadores da Agrobrasília mostra que pelo menos 80 mil pessoas passaram pela exposição, que terminou ontem



 Volume de negócios em curso ultrapassa a casa dos R$ 500 milhões, ou 30% a mais que o do ano passado.
Fernando, Walter e Newton não são <span style=
Pelo menos 80 mil pessoas passaram pela Agrobrasília em cinco dias de evento. A sexta edição da exposição, considerada uma das principais no ramo do agronegócio do país, foi montada no Parque Tecnológico Ivaldo Censi, na região do Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), e superou as expectativas dos organizadores, com mais de R$ 500 milhões de negócios em curso, ou 30% a mais do que registrado no ano passado. Desse total, R$ 7,1 milhões são fruto das rodadas internacionais com importadores de diversos países, que vieram à capital interessados na compra de implementos agrícolas. Ao todo, 385 expositores participaram da Agrobrasília.

Nas primeiras horas da manhã de ontem, o volume de pessoas que passavam pelo local já era grande. Agricultores, empresários e também curiosos disputavam espaço para admirar as gigantes máquinas agrícolas e outras inovações tecnológicas do setor. Também foi possível dar os últimos lances, amarrar futuros investimentos, além de fazer compras de artesanatos e mudas. As rodadas de negócios com estrangeiros foram pioneiras desde a primeira edição da Agrobrasília e envolveu representantes de nações como Peru, Bolívia, Colômbia, Uruguai, Guatemala e Angola. A feira terminou ontem.

O diálogo entre esses atores foi intermediado pelo Sindicato de Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). As transações firmadas com os importadores atingiram a casa de R$ 592 mil — no entanto, o volume pode superar R$ 7 milhões. O balanço divulgado, contudo, é preliminar. A expectativa dos organizadores da Agrobrasília é de ter números ainda maiores na próxima semana, quando os cálculos das instituições financeiras, também envolvidas no evento, serão oficializados.

O empresário rural Vagner Paulo Welk, 32 anos, foi uma das pessoas que passou pela feira de agronegócio na manhã de ontem. “Vim conhecer as novidades do mercado e verificar os produtos mais acessíveis ao bolso. Mas, por enquanto, só esquentei o talão”, brincou o produtor de milho, soja e feijão na região de Cristalina (Goiás). “Hoje em dia, com a qualidade e a tecnologia agregadas aos equipamentos, nenhuma máquina é ruim. Só temos de analisar qual delas atende melhor as nossas necessidades. Não dá para ficar para trás nesse setor, pois isso afeta a produtividade”, justificou.

Na ocasião, duas palestras foram ministradas a profissionais do setor: uma sobre piscicultura e outra sobre sistema de produção sustentável. Na primeira delas, o coordenador de Compras Institucionais da Secretaria de Agricultura, Lúcio Flávio da Silva, falou sobre a grande demanda por peixes do Distrito Federal. “A nossa oferta é baixa nessa área. Não devemos atender nem 10%. Portanto, temos de fomentar a produção na área de piscicultura”, argumentou.

O produtor e gerente comercial da associação Haja Peixe — Ride-DF assistiu à apresentação de Silva e também se mostrou preocupado diante do cenário. “Nossa entidade e órgãos governamentais da área estão se movimentando para organizar o setor produtivo. O objetivo é conseguir atender a demanda existente. Os problemas passam, principalmente, pela falta de capacitação no campo e pelo profissionalismo inadequado na produção”, esclareceu.

Curiosos
Diferentemente de outras mostras agropecuárias, a Agrobrasília não inclui em sua programação shows culturais. Mesmo assim, o empresário Newton Alarcão, 66 anos, e os engenheiros Walter Alarcão, 56, e Fernando Sollero, 54, decidiram sair de Brasília para conferir as novidades da feira. “Viemos admirar a tecnologia, ver de perto essa evolução do campo. Queremos ver o que tem de diferente. Ano passado, também estávamos aqui. Quem sabe não nos animamos e viramos agricultores?”, disse Newton. Fernando, por sua vez, mostrou-se encantado com as máquinas expostas. “Como sou engenheiro, acho algo muito bonito”, mencionou. Walter completou: “Esse setor está se modernizando cada vez mais para melhorar a qualidade, e esse é um caminho sem volta.”


Alta produtividade
A região que cerca PAD-DF é destaque no setor pela produtividade acima da média nacional em várias culturas de grãos e também nas lavouras de hortaliças. Dos 50 municípios com maior Produto Interno Bruto (PIB) Agropecuário do país, 10 estão no Entorno. Em dezembro, as propriedades locais somavam 122.456 hectares (ha) plantados de grãos, 9.109 ha de hortaliças e 1.421 ha de frutas. A produção também é volumosa. Em um raio de 500 quilômetros ao redor da feira, existem 236 municípios com intensa atividade agrícola. 
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