2024 está chegando para o Porto de Santos

O novo recorde de movimentação de cargas no Porto de Santos - o do primeiro quadrimestre deste ano - aponta mais problemas do que motivos de euforia


O novo recorde de movimentação de cargas no Porto de Santos - o do primeiro quadrimestre deste ano - aponta mais problemas do que motivos de euforia. O mês de abril deste ano registrou aumento de 15,5% na movimentação de cargas em relação a abril de 2012. Mais na exportação (20,8%) do que na importação. Os quase 10 milhões de toneladas movimentadas (9,71) não chegam a constituir recorde mensal. Mas contribuíram decisivamente para o recorde quadrimestral.

A primeira reflexão se refere à pauta que constrói esses números: soja, açúcar e cada vez mais milho. As exportações de milho entre janeiro e abril mais do que sextuplicaram em relação ao ano passado.

O País vai se tornando cada vez mais um fornecedor de alimentos e commodities em geral para um mundo ainda turbinado pelo crescimento da economia chinesa. Externamente, se isso se define como política, é importante um trabalho diplomático de redução do protecionismo de outros países em relação a esses produtos no mercado global.

O diplomata Renato Azevêdo, primeiro brasileiro a dirigir a Organização Mundial de Comércio (a partir de 1º de setembro) considera positiva a posição atual do Brasil no comércio internacional como exportador de commodities, com a ressalva de que isso não limite o potencial exportador do país. "Não vejo a menor vergonha de o Brasil ser um exportador de commodities e produtos agrícolas. Vergonha seria o contrário, algo que não se justificaria. Mas o Brasil tem capacidade de ser exportador em várias frentes", define o diplomata.

Internamente, é importante redesenhar a planta logística para manter essa competitividade. Cargas cruzando o país na carroceria de caminhões movidos a óleo diesel estão longe de representar o cenário ideal. Investimentos em ferrovias, hidrovias e dutovias são necessários não para aumentar a fatia brasileira nesse bolo do comércio internacional, mas sim para manter esse espaço duramente conquistado.

Renato Azevêdo também tocou nessa questão depois de eleito para o cargo. Responsável pelas negociações comerciais do país por duas décadas, ele também defende mecanismos de incremento à competitividade. "Temos de olhar mais a competitividade, não apenas no setor industrial, mas também no agronegócio", disse. O Brasil não é um país importante apenas porque é exportador, mas porque é também um importador. Mas para competir no setor industrial, é importante também olhar com cuidado para a inovação. O aço brasileiro, por exemplo, está sendo triturado pela produção chinesa no mercado internacional passivamente. Sem esboçar uma reação que só é possível com criatividade.

Os números do Porto de Santos também vão confirmando o estudo do Banco interamericano de Desenvolvimento que apontou em 2009 um aumento para cerca de 250 milhões de toneladas movimentadas em 2024. A projeção deste ano com os dados de abril já salta para 111 milhões de toneladas.

O conjunto de obras em execução ou em projeto nos acessos ao Porto tem potencial para dar fluidez à movimentação atual, na casa de 100 - 110 milhões de toneladas. Para as 250 milhões de toneladas que começam a se desenhar como realidade e não como chute ou sonho, o buraco é bem mais embaixo.
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