Olho no clima e na China




Ficar atento ao mercado e entender seus sinais é uma ferramenta muito importante para negociar a venda no momento certo. Com a seca que quebrou a safra americana no último ciclo, o preço do bushel da soja chegou a estar em US$ 17,70 em 30 de agosto do ano passado. A valorização produziu como efeito um incentivo ainda maior ao cultivo no Brasil, que pode bater os Estados Unidos e se tornar o maior produtor mundial do grão.

O contexto também favoreceu os agricultores que apostaram na venda antecipada, ontem, os contratos com vencimento para maio fecharam em US$ 14,11 na Bolsa de Chicago. "O clima é o divisor de águas. É o que vai puxar o preço para cima ou para baixo", observa o analista de mercado Farias Toigo, da Capital Corretora.

Outra peça com efeito sobre o preço apareceu nesta semana. Na segunda, o anúncio de que o crescimento da economia da China no primeiro trimestre ficou em 7,7%, 0,2 ponto percentual abaixo dos 7,9% registrados no trimestre anterior,  foi o suficiente para sacudir o mercado. Reflexo do apetite voraz dos chineses: 65% das cerca de 100 milhões de toneladas de soja negociadas no mercado internacional serão compradas pelo país asiático.

Para alguns, foi uma reação exagerada. A China precisa da soja para alimentar sua produção de carnes, cuja demanda cresce na mesma proporção que ascende a renda da população local.

"O crescimento menor chinês me preocupa menos do que o aumento no custo da logística aqui" rebate o economista da Farsul, Antonio da Luz, alertando para os ganhos que podem ficar pelo caminho da supersafra brasileira e gaúcha.
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