Etanol volta a ter condições para recuperar mercado

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol, e disparado o primeiro que fabrica tal combustível a partir da Cana-de-açúcar

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol, e disparado o primeiro que fabrica tal combustível a partir da Cana-de-açúcar. Os Estados Unidos, que são líderes desse mercado, produzem etanol tendo como matéria-prima o milho, principalmente. Subsídios à agricultura estimularam a produção americana, enquanto que no Brasil ela se estagnou.

Não foi por falta de demanda, pois cerca de 90% dos automóveis que saem das montadoras brasileiras, hoje, têm motores adaptados tanto para o uso da gasolina como do etanol. Uma série de dificuldades fez com que a oferta de etanol não atendesse a esse mercado potencial. As empresas eram relativamente pequenas para o desafio que tinham à frente, e, no processo de fusões e incorporações que se seguiu, muitos grupos acabaram se endividando excessivamente. A cana só é um bom negócio quando produzida em grandes quantidades e em áreas que não estejam distantes das usinas que a processam, pois o custo de transporte dessa matéria-prima pode simplesmente inviabilizar a produção de açúcar e/ou do etanol.

Canaviais precisam ser renovados de tempos em tempos (em média, a cada seis anos) para manterem índices de produtividade razoáveis. Endividado, o setor retardou essa renovação, devido à perda da capacidade de investimento. No caso do estado de São Paulo, que responde pela maior parte da produção brasileira, houve também uma mudança significativa nos processo de plantio e colheita. O trabalho passou a ser mecanizado, e até que a técnica fosse dominada pelos produtores ocorreu considerável perda de matéria-prima.

Todos essas dificuldades se agravaram devido a problemas climáticos que reduziram o teor de sacarose da cana colhida em várias safras. Além disso, o etanol compete diretamente com a gasolina, cujos preços permaneceram "congelados" por longo tempo, por decisão do governo, que ignorou as cotações internacionais desse derivado do petróleo, causando grandes prejuízos à Petrobras.

Ainda que essa situação não tenha se normalizado completamente, os preços dos combustíveis já foram em parte corrigidos. A escassez de etanol se deu exatamente em momento de forte crescimento do mercado de combustíveis. E, diante da política equivocada de preços definida pelo governo, a Petrobras teve de importar elevados volumes de gasolina, pagando mais caro do que o repassado ao mercado doméstico. Aos prejuízos financeiros se somaram os de ordem ambiental.

O governo agora anuncia um programa de estímulo à produção de etanol, anulando a tributação que contribuía para o produto ser menos atraente que a gasolina para os consumidores da maioria dos estados. A economia e a natureza agradecem.
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