Atividade econômica do Brasil cai 0,52% em fevereiro, revela BC


A economia brasileira encolheu 0,52% em fevereiro em relação ao mês anterior, de acordo com o "PIB do Banco Central". Apesar da queda do índice de atividade, o IBC-Br, o resultado foi comemorado por analistas. Os economistas previam uma retração maior, de até 0,85% no mês. Outro sopro de otimismo foi a revisão do crescimento em janeiro. A autoridade monetária atualizou o índice do primeiro mês do ano, de 1,29% para 1,43%. Com isso, a análise é que o país voltou a crescer e deve ter um bom desempenho no primeiro trimestre. E essa retomada da atividade tira a pressão sobre o próprio BC e abre as portas para o Comitê de Política Monetária (Copom) subir juros na semana que vem para controlar a escalada dos preços.

A pressão sobre os diretores do BC aumentou depois que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourou o teto da meta para o ano. Nos últimos 12 meses terminados em março, o índice usado oficialmente pelo governo acumula uma alta de 6,59%. A meta para o ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais.

- O BC está com um olho no peixe e outro na frigideira: ao mesmo tempo está preocupado com o crescimento e não pode deixar de lado a inflação. Esse crescimento melhor que o esperado dá tranquilidade para o Banco Central fazer a alta dos juros sem problemas - observou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luiz Octávio Leal.

Nas contas de Leal, se o país não crescer absolutamente nada em março, o crescimento do trimestre fica em 0,8%. Como essa não é a previsão, ele aposta em uma expansão de pelo menos 1% nos três primeiros meses do ano. A aceleração da atividade é impulsionada por vários fatores. Entre eles, a alta nas vendas de caminhões, por causa dos incentivos do governo como mais crédito, e também a supersafra de soja.

Expectativa menor para próximos trimestres

Por outro lado, apesar de vários números positivos, a economia brasileira não deve mostrar o mesmo vigor nos próximos trimestres. Essa é a avaliação do economista do Itaú Unibanco Aurélio Bicalho. Em comunicado, ele afirma que "estes indicadores sugerem que a economia está se expandindo em um ritmo mais forte no primeiro trimestre do que nos trimestres anteriores, mas não esperamos esse mesmo ritmo nos trimestres seguintes."

O economista-chefe a corretora INVX Global, Eduardo Velho, lembra que ainda há sinais de fraqueza do crescimento. Um argumento para que a equipe econômica continue a se preocupar com a atividade é a retração da vendas do comércio no varejo de 0,4% em fevereiro. O dado foi pior do que todas as apostas. Mesmo assim, ele acha que o BC voltará a subir os juros:
"Não alteramos o nosso cenário da necessidade de elevação da básica de juros na próxima semana, de 7,25% ao ano para 7,5% ao ano. As coletas de preços no critério ponta a ponta em abril ainda não mostram perda de fôlego relevante da inflação, muito pelo contrário".

Octávio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, crê que o Copom manterá a Selic estável na quarta-feira e só começará a subir os juros no mês seguinte. Ele classifica como "acanhada" a retomada do crescimento e lista uma série de fatores externos para a estabilidade da taxa básica.

Daniel Keller, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), avalia que o resultado do IBC-br de fevereiro comprova "a inconstância da atividade econômica", que naquele mês refletiu principalmente o mal desempenho da indústria e do setor varejista.

- Não esperávamos um revés da atividade tão a curto prazo, mas acreditamos que os setores de serviços e o agrícola vão segurar os 2,5% para o PIB. 
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